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Nós vivemos em nossa mente


Gastamos muito tempo comprando casas bonitas, decorando-as de acordo com os nossos desejos, fazendo tudo parecer muito agradável. Nós as mantemos limpas, bem mobiliadas e lindamente decoradas, e as exibimos com orgulho para as outras pessoas. Mas, na verdade, não vivemos em nossa casa, vivemos em nossa mente.

Também passamos muito tempo cuidando de nossa aparência física, sempre tentando parecer jovens e atraentes, usando o tipo certo de roupas e procurando dar às pessoas o tipo certo de impressão. Nós pensamos: “Este sou eu”.

Se vamos para outro lugar, deixamos nossa casa para trás, não somos caracóis. Mas carregamos nossa mente conosco para todos os lugares, vivemos dentro dela. Tudo o que vemos é projetado para nós através de nossos órgãos dos cinco sentidos, incide sobre nossa consciência e, em seguida, é interpretado pela mente.

A mente em si é considerada um sexto sentido, aquele que está constantemente produzindo memórias, pensamentos, ideias, opiniões, julgamentos, gostos e aversões. Vivemos dentro de nossa mente. Onde mais vivemos?

Mas quantos de nós se dão ao trabalho de decorar a sua mente? Quando consideramos a quantidade de coisas que consumimos – televisão, filmes, revistas, jornais e toda esta cacofonia com a qual vivemos constantemente -, esse lixo é derramado em nossa mente a cada minuto e nunca nos livramos dele: está tudo lá.

Você convidaria uma pessoa importante para ir a sua casa se ela estivesse cheia de lixo e de tralha, sem nunca ter sido limpa? Você não faria isto. Você a deixaria aprazível, com tudo muito bem arrumado, abriria todas as portas e janelas para deixar o ar fresco entrar e, aí então, faria o convite à pessoa importante.

Então, como podemos convidar a Sabedoria a entrar em sua mente que é como lixeira?
Não é a toa que vemos tudo através de nossa mente confusa e turbulenta, repleta de venenos e de má vontade, cobiças, ilusões e assim por diante.

Primeiro precisamos fazer a faxina. Existem muitos métodos para limpar a mente. Quando iniciamos este processo, veremos que existe um estado mental para além do sofrimento, um estado mental que é livre. Aos poucos podemos incorporar as qualidades deste estado livre, como o amor e a compaixão.

Mas, primeiro, temos que entender que é necessário nos abrirmos a estas qualidades, e temos que entender por que é necessário. Nossos sofrimentos não dependem do que está acontecendo “lá fora”.

Na verdade depende de nossa própria mente, do estado da própria mente e das nossas reações ao que está acontecendo lá fora.


Extraído e adaptado por Marcos Wunderlich do livro no Coração da Vida - Sabedoria e compaixão para o cotidiano de Jetsuma Tenzin Palmo – Lúcida Letra

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