Pular para o conteúdo principal

Vale a pena empreender em marketing multinível?

Resultado de imagem

“Quer melhorar de vida?”

Já deve ter acontecido com você. Um conhecido ou conhecida te convida a participar de um evento misterioso, mas não passa grandes detalhes. No dia e hora marcados, você aparece e assiste à um discurso comercial (selling pitch) digno de Oscar.

Nele, vendedores categoria “diamante, ruby ou top” apresentam histórias inacreditáveis sobre como venceram desafios pessoais e hoje dirigem carros importados, além de conhecerem o mundo graças aos prêmios que receberam. Tudo isso, acrescentam, foi possível após se tornarem representantes ou distribuidores da Hinode, Herbalife ou Jeunesse.

“Não vamos te vender esse produto”

Há alguns anos, eu passei por isso. Um amigo me convidou à participar de um evento misterioso. Compareci, desconfiado sobre o que encontraria. No local, fui bombardeado sobre como sería bem sucedido financeiramente se comprásse o produto. Começar era fácil, bastava fazer um pedido mínimo de cerca de R$4mil na época. Como eu estava no evento para satisfazer minha curiosidade e aprender – afinal, sou professor de empreendedorismo – , a oferta não me interessou (confesso que até hoje quero o sonho que eles venderam).

Na ocasião, perguntei à um dos “vendedores gold” sobre quem poderia me vender uma pequena quantidade de produtos, para consumo pessoal. A resposta dele foi “não vamos te vender, ninguém aqui vai te vender.” Achei a resposta um pouco estranha. Que empresa é essa onde um consumidor não pode comprar R$100 em produtos? Como ela se sustenta?, foram algumas das perguntas que me fiz na hora.

Mais análise, menos emoção

Durante a fase de análise de oportunidades de um negócio, é importante que sejam utilizadas premissas para apoiar desições. Premissas são indicadores  – com base em informações disponíveis ou criadas – que ajudam na organização de ideias. Por exemplo, para ganhar R$10 mil, é preciso vender 100 produtos a R$100 cada. Nesse caso, foram apresentadas 3 premissas: o faturamento total, a quantidade de produtos vendidos e o preço do produto.



Considere a empresa de marketing multinivel que você está pensando em se associar. Como eles fazem a maior parte da receita? Em eventos de lançamento onde é preciso juntar 100 pessoas para que 30 se interessem e 10 entrem no negócio? Ou o modelo de negócios é focado em vendas ao consumidor final, onde são necessárias centenas de visitas por semana?

São dois modelos diferentes. Em um, o negócio “gira” pois muitas pessoas compram de uma vez um volume alto. No outro, as vendas têm um ticket médio menor, pois são os consumidores finais que compram. Em outras palavras, um modelo é o de vendas via “evento,” enquanto o outro é mais tradicional (de porta em porta ou por meio de um ponto de venda).

Como decidir?

Independente dos motivos que o(a) levam a empreender um novo negócio, recomenda-se começar com uma pesquisa. Veja se o negócio está listado no site da Associação Brasileira das Empresas de Vendas Diretas, participe de eventos das empresas que você está avaliando representar e converse com vendedores. Não apenas os “diamante, ruby ou top” –, mas aqueles que entraram recentemente no negócio e aqueles que saíram. Enfim, faça a lição de casa com o objetivo de comparar oportunidades de negócio.
Voltando ao evento que participei... muitos dos presentes estavam passando por dificuldades financeiras. Alguns mais do que outros. Percebi que o que estava sendo vendido no dia não eram produtos, mas uma “solução para problemas pessoais.”

Frequentemente ouvimos as pessoas falarem que “esse ou aquele setor dá muito dinheiro” ou “fulano está ganhando bem vendendo isso...” A realidade é que existem pessoas ganhando e perdendo dinheiro em todos os setores da economia. Seja crítico(a) quando alguém tentar lhe “empurrar” uma solução fácil para uma situação complexa.

Por outro lado, existem empresas sérias que trabalham no formato mono ou multinível. Faço um convite para você iniciar a procura por esse tipo de empresa. Não espere as oportunidades chegarem até você.


THIAGO DE CARVALHO é mestre em ensino de negócios pela Universidade de Nova York, professor do Insper e idealizador da Metodologia QEMP.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Competências para empreender

Você se formou, estagiou, teve experiências profissionais bacanas, se especializou e finalmente decidiu empreender . ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Mas, sinceramente, você se tornou um empreendedor ou apenas conseguiu um auto emprego? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Este dilema acompanha muitos profissionais. São dentistas, médicos, psicólogos, contadores, engenheiros, designers, arquitetos, etc. Sem que percebam, se tornam “o patrão de si mesmo”. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Empreender não significa ter um CNPJ, uma empresa, nem mesmo ter um escritório transado em uma avenida movimentada. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Empreender, além de atitude, envolve competências essenciais. Mas, quais as competências necessárias para uma jornada empreendedora vencedora? ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Separamos elas em dois grupos: ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ COMPETÊNCIAS DO EMPREENDEDORISMO ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ • Habilidade de prototipar um produto ou serviço • Habilidade de controlar e planejar o negócio • Identificação e utilização de recursos • Mobilização de pessoas e liderança • Conheciment

Nós vivemos em nossa mente

Gastamos muito tempo comprando casas bonitas, decorando-as de acordo com os nossos desejos, fazendo tudo parecer muito agradável. Nós as mantemos limpas, bem mobiliadas e lindamente decoradas, e as exibimos com orgulho para as outras pessoas. Mas, na verdade, não vivemos em nossa casa, vivemos em nossa mente. Também passamos muito tempo cuidando de nossa aparência física, sempre tentando parecer jovens e atraentes, usando o tipo certo de roupas e procurando dar às pessoas o tipo certo de impressão. Nós pensamos: “Este sou eu”. Se vamos para outro lugar, deixamos nossa casa para trás, não somos caracóis. Mas carregamos nossa mente conosco para todos os lugares, vivemos dentro dela. Tudo o que vemos é projetado para nós através de nossos órgãos dos cinco sentidos, incide sobre nossa consciência e, em seguida, é interpretado pela mente. A mente em si é considerada um sexto sentido, aquele que está constantemente produzindo memórias, pensamentos, ideias, opiniões, julgamentos, gos

Todos fazem o seu melhor a cada momento

Além da motivação básica que é a busca pela felicidade ( veja o post anterior ), todo ser humano busca sempre dar o melhor para momento atual. Mesmo quando a pessoa faz algo com pouca qualidade ou até mesmo considerado ruim, naquele momento é o melhor que ela pode fazer. Ninguém faz o seu pior deliberadamente. Isto porquê existe um limite máximo para o momento, um teto. A notícia boa é que sempre podemos ampliar este limite ativando nossas potencialidades internas. Temos uma sabedoria e pontecialidade infinita dentro de nós e que podem ser ativadas através de experiências, estudos, insights, ou através de processos de Coaching & Mentoring. Nos processos de Coaching & Mentoring do Sistema ISOR, consideramos estas duas motivações básicas do ser humano: todos buscam a felicidade e todos fazem o seu melhor a cada momento. Coaching & Mentoring é, em parte, um processo racional e operacional, que funciona a partir de conhecimentos, planos e metas. Porém, o verdade