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Meu negócio quebrou. E agora?


Montar (ou fechar) o primeiro negócio ainda é tabu para muitas pessoas. Se você já passou por isso ou está planejando começar (ou fechar) um, mais cedo ou mais tarde irá se perguntar se está no caminho certo.

Seja motivado por fatores externos (pressão da família ou amigos) ou internos (autocobrança), você se pegará pensando: estou na direção do sucesso ou fracasso?

Ao longo dos anos, acompanhei muitos empreendedores durante a fase de preparação e planejamento de uma empresa (inclusive minhas). Aprendi que os motivos que levam alguém a empreender o negócio próprio têm relação direta com a percepção de sucesso ou fracasso.

3 lojas de uma vez

Certa vez acompanhei um colega que trabalhava como gerente em um banco durante seus primeiros passos como empreendedor. Com um salário de R$10mil por mês, seu principal objetivo com o novo negócio era obter uma renda igual ao que tinha como funcionário. Para isso, decidiu abrir ao mesmo tempo três franquias de uma rede que vende cervejas artesanais. Ou seja, de acordo com seu objetivo, se não conseguisse a renda de R$10mil por mês com as franquias, teria fracassado.

Avalie esse mesmo caso por um outro ponto de vista. Imagine que meu colega – ao decidir empreender – tivesse como objetivo aprender sobre a dinâmica do mercado e sobre como controlar e planejar um negócio próprio. Nesse caso, ele precisaria abrir as três franquias de uma vez ou apenas uma bastaria?




Comparando as duas perspectivas – empreender para ganhar o mesmo salário como funcionário ou para conhecer o mercado – fica claro que sucesso e fracasso depende de objetivos previamente estabelecidos.  Meu colega conseguiu abrir duas, não três lojas, e teve uma grande dificuldade em controlar essas unidades. Ele acabou se desfazendo do negócio, com um prejuízo considerável.

Se por um lado ele fracassou em conseguir o mesmo salário que tinha como funcionário, obteve sucesso em entender como o mercado de franquias funciona, especificamente o de cervejas artesanais. Caso seu objetivo desde o início fosse entender se é possível administrar três franquias simultaneamente, ele não precisaria abrir as unidades para isso.

Estabeleça ou resgate seus objetivos

Se você está abrindo um negócio ou já possui uma empresa, avalie os motivos pelos quais decidiu por essa carreira. No meu caso, abri meu primeiro negócio com o objetivo de aprender a empreender.

Era funcionário de uma multinacional e havia decidido que queria ser professor na área de ensino de negócios e empreendedorismo. Eu segui todas as boas práticas ligadas a abertura de um negócio: planejei com cautela, estudei o mercado e me associei a uma pessoa que já tinha experiência no setor. O planejamento foi bem feito e colocamos nosso produto em 70 pontos de vendas em apenas 6 meses.

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Outro negócio que montei foi criado por impulso. Não queria ficar fora da onda do comércio eletrônico. Isso mesmo, meu objetivo era “não ficar de fora” de um setor. Essa meta foi atingida, entrei no setor e comecei uma operação de venda de produtos para pequenas e médias empresas. Do ponto de vista comercial, a experiência foi um fracasso.

Imagine agora uma empresa em que o propósito seja transformar o setor em que está inserida. Não estamos mais falando de um negócio em que o empreendedor tem como meta principal ganhar um salário fixo, mas criar uma operação que transforme sua área de atuação.

Quando avaliamos por uma perspectiva mais ampla, são necessário anos – e diversos indicadores – para validar se essa meta foi atingida.

Ou seja, quanto mais robustos, estruturados e fundamentados forem seus objetivos, maiores as chances de você obter sucesso com o empreendimento. Fracassos passam a ser parte necessária, natural e esperada em direção ao aprendizado.

Pense em seu atual momento profissional: você está em direção ao fracasso, sucesso ou ambos?

Thiago de Carvalho é professor de Empreendedorismo do Insper e idealizador da metodologia QEMP.




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